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terça-feira, 22 de setembro de 2009

Soa familiar

Seria uma campanha milionária. É, seria. É coisa de muita verba quando se passa duas horas tomando expressos italianos com a diretora de marketing da grande corporação que eu não estou autorizado a dizer o nome por nada nesse mundo, saus pernas se cruzando, se descruzando, e o tique de puxar a saia, além dos meus três patrões de terno com tênis e meias do patolino, olhando disfarçadamente para as prateleiras que ostentam seus troféus de melhor alguma coisa do ano. Essa minha profissão, é a profisão de dourar a pílula, eu pensei, e não importa se o assunto é desodorante para axilas desidratadas ou imóveis de três quartos com paredes de gesso e espaço gourmet.
(...)
Mandaram vir o café e alguns biscoitinhos feitos artesanalmente por alguma socialite entediada (há quem pague). Depois de algum comentário cordial referente ao delicioso e sutil sabor de canela, um toque de gengibre talvez, a diretora de marketing da grande corporação que não devo revelar o nome começou a falar. E falava na verdade tudo que já sabíamos, apontando para um slide-show que, como sempre, não funcionou na primeira tentativa. A pronúncia forçada, saindo dos seus lábios refeitos em cirurgia plástica, lembrava uma aula ruim de fonética.

Carol Bensimon, Sinuca embaixo d’água.

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

Não-autores na capa da Aplauso

Trecho da matéria:
A não-geração do século 21
"Antônio Xerxenesky, Bernardo Moraes, Carol Bensimon, Diego Grando, Jorge Bucksdricker e Telma Scherer são escritores. Três prosadores e três poetas. Todos gaúchos com mais de 22 e menos de 30 anos. São jovens, não há dúvida, e, segundo dizem, apesar de cronologicamente pertencerem a uma geração, não têm em sua literatura traços que os definam como uma unidade ou corrente literária. Também não pretendem promover nenhuma revolução estilística, como os modernistas do início do século passado. Tampouco são frutos da vertente blogueira dos anos 2000 (no caso deles, internet é mais conseqüência do que causa) ou da turma de Daniel Galera, Paulo Scott e Daniel Pellizzari.

Possivelmente essa independência seja sintoma de uma época. Difícil etiquetá-los e reuni-los num mesmo saco – a não ser pelo fato de todos estarem estreando no universo literário, alguns no primeiro, outros no segundo livro. Dos seis, três publicados pela mesma casa, batizada com o interessante nome de Não Editora".

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