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quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

Carne de vaca sagrada

Lendo Dom Casmurro e ouvindo Beirut – o que a Rede Globo não faz com uma pessoa? O esquema do “veja o filme-leia o livro” geralmente funciona comigo, e o inverso também (Reparação, Onde os fracos não tem vez e Ensaio sobre a cegueira, ano passado foi meu ano de correr atrás dos livros antes das estréias). No mais, sempre tive certo bloqueio com a literatura nacional mais canônica, ranço dos trabalhos de aula forçados e do empenho das professoras de literatura em nos convencer de que a maior parte daqueles livros não prestavam, só sendo ensinada em sala de aula para cumprir tabela (opinião expressa pela minha professora da 8ª série sobre, especificamente, A Moreninha, mas depois extendida para todo o resto dos livros em estudo na ocasião). Não me admira que os professores estaduais gaúchos tenham ficado incomodados com a proposta da SEC de distribuir bônus por desempenho.

Mas enfim, fato é que, além de estar lendo e gostando de Machado de Assis, e depois que uma colega de trabalho me viu assistindo o clipe de Elephant Gun no youtube e me passou toda a discografia deles garantindo que era a melhor coisa no mundo (palavras dela), fiquei viciado em ouvir Beirut. Que, segundo me explicaram, era a vaca sagrada da música indie, que a julgar pela lógica, devem estar orfãos, já que não se pode gostar agora de algo que todo mundo conhece e continuar sendo cool. A constar, a culpa do meu interesse súbito pelas três coisas - a minissérie, o livro, a banda - veio dessa cena:

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