Tive minha cota de chiliques nerds ao longo dos últimos meses acompanhando notícias sobre a produção de Watchmen – O Filme (nota nada-a-ver: nada como o ar grandioso que o subtítul "o filme" pode dar à produções vindas originalmente de outras mídias nem sempre muito respeitadas, como televisão ou, no caso, quadrinhos. O último que me lembro de ter esse subtítulo foi "Power Rangers - O filme". Hm... Curiosamente, ninguém colocaria isso numa adaptação literária. "Onde os fracos não tem vez - o filme"?).Mas enfim, voltando à Watchmen, no fundo não sou tão xiita a ponto de me estressar com mudanças que, no final das contas, não fizeram tanta diferença assim. O filme me ganhou já na cena de abertura (acredite, eu nunca tinha escutado The Times They Are A-Changing), e a trilha sonora é uma das melhores partes, mesmo que nem sempre funcione (mas ao menos pra mim, Sound of Silence e All along the Watchtower funcionaram). No final das contas, o número de coisas a reclamar é menor do que a elogiar. Certamente, não houve uma cena de luta que não fosse desnecessária, e a cara de playboy arrogante do Ozymandias do filme não combina com o personagem dos quadrinhos, que era desenhado com uma eterna cara de dor, como se estivesse com pena do mundo. Ok, nerdices de fanboy. Jackie Earle Haley e sua voz roubada do Clint Eastwood casaram bem com Rorschach, e para alegria do muito exigente e macho público nerd, as balançantes jóias-de-família do dr. Manhattan foram mantidas à mostra. Nada família, esse filme de super-heróis que não são tão heroicos assim, irá pensar o público desavisado.
Me pergunto se o filme não ficou meio difícil pra quem não sabe bulhufas do que seja Watchmen, levei comigo o Rosp ele gostou do filme, mesmo não tendo entendido algumas partes. No geral, concordo que poderia ter sido melhor, também poderia ter sido pior, mas a possibilidade de um grande público sair do cinema interessado em ler a obra original já vale a existência do filme. E sim, pretendo ver mais de uma vez.

