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quinta-feira, 26 de julho de 2012

O último Bond

Em onze de agosto de 1964, logo após o almoço, Ian Fleming sofre um ataque cardíaco e morre, deixando completo no texto, mas não na revisão, o original de O Homem do Revólver de Ouro (como foi publicado no Brasil originalmente). Há quem diga que falta no livro muito dos detalhes que Fleming tipicamente acrescentava na segunda revisão  - na época, chegou-se a questionar quanto do livro seria, de fato, de autoria de Fleming. Da minha parte, posso afirmar com segurança – eu li treze livros, não imagino que mais seja preciso que isso – de que se trata de um Fleming legítimo do começo ao fim. Se há algo de incompleto, é no avanço brusco que a trama dá de tempos em tempos, as prováveis lacunas que Fleming deixou para preencher mais tarde, mas que, ao menos, tem a vantagem de dar ao livro um tom dinâmico..

The Man with the Golden Gun
O plot: dando continuidade de onde o livro anterior parou, um James Bond desmemoriado chega à Londres após ter sofrido lavagem cerebral da KGB e tenta assassinar M, mas é impedido pelo aparato de segurança do MI6. Capturado e curado, recebe como missão para se redimir ir até a Jamaica. Lá, deve localizar e assassinar Francisco “Pistolas” Scaramanga, o Homem do Revólver de Ouro (e de três tetas), um mercenário cubano a serviço da Rússia com um plano para desestabilizar a região, através da sabotagem das plantações de açúcar do Caribe.
 
O livro: como dito, não há o que não seja um legítimo Fleming – na ação, na ambientação, nos detalhes fetichistas. Parece que, após perder o ritmo e quase flertar com a inércia em You Only Live Twice, Fleming decidiu reunir todos os elementos mais totêmicos de 007 num único livro – o que, dada as circunstâncias, dá ao personagem um final adequado, como uma grande festa onde tudo se reúnem. Os escritórios do MI6, o clube Blades, a recorrente Jamaica, e todos os coadjuvantes regulares dos treze livros anteriores batem ponto com participações ou citações: o amigo Felix Leiter, o Chefe-de-Pessoal Bill Tanner, o psicólogo sir James Molony, o maitre Porterfield, a governanta May, a secretária Moneypenny e a assistente Mary Goodnight, aqui promovido à bond-girl. Finalmente descobrimos o nome completo de M (almirante Miles Messervy) e o destino de Honey Rider após Dr. No (casada com um médico, dois filhos).

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