segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

Em breve?


The Fall (2006), de Tarsem Singh.
Sabe-se lá deus quando – se é que um dia – lançam The Fall no Brasil, o filme é de 2006, teve uma passagem pelo festival de Berlim em 2007 e só conseguiu lançamento nos EUA em 2008. Então recorri à internet. Produzido por David Fincher e Spike Jonze, trata-se do segundo filme do indiano Tarsem Singh, que debutou com A Cela, um filme que primava pelo visual espetacular tanto quanto pelo roteiro meio preguiçoso. The Fall tem os mesmos méritos e defeitos: é antes de tudo, um filme para os olhos. A história é simples: um dublê de faroestes Roy (Lee Pace, da série Pushing Daisies) preso à uma cama após um acidente de filmagens, faz amizade com a menininha Alexandria (a novata Catinca Untaru) que também sofreu ela uma queda, numa plantação de laranjas. Como em As mil e uma noites, Roy prende a atenção de Alexandria contando-lhe histórias, como forma de fazer que a menina roube medicamentos da farmácia do hospital. Histórias que são complementadas pela imaginação fértil da menina.
O truque de ser uma fábula que se molda e se adapta conforme a vontade da menina serve para que o diretor arranje desculpas para filmar cenas lindíssimas sem se preocupar muito com a lógica, desde Alexandre o Grande frente à uma gigantesca duna, os heróis atravessando o mar nas costas de um elefante, ou o mapa que se forma no corpo de um aborígene. O delírio estético é, antes de tudo, um primor de pesquisa de locações, dos labirintos aos desertos e florestas, até mesmo o recife em forma de borboleta é uma locação real. O filme, que prega não ter usado nenhum efeito digital, a todo momento parece tentar compensar o vazio de conteúdo com momentos de deslumbre estético, potencializado pelo trabalho da designer Eiko Ishioka (cujo currículo inclui A Cela, Drácula de Bram Stoker – pelo qual ganhou o Oscar – e a peça Varekai, do Cirque du Soileil) em figurinos surrealistas.
É uma coisa bonita até não poder mais, embalando uma história meio fraquinha, mas me abri pro filme com a cena final, uma montagem de cenas de ação do cinema mudo, com caubóis saltando de cavalos, de trens, buster keaton escapando por um triz em dezenas de filmes, embalado pelo 2° movimento da 7ª sinfonia de Beethoven; É uma declaração de amor não necessariamente à história das cenas de ação e dos dublês, mas do cinema como imagem e movimento, a empolgação das cenas impossíveis e o surrealismo e o espanto dos momentos de vertigem. Apesar das falhas, é um filme que, como disse Roger Ebert, “que se deseja ver simplesmente porque existe”.

4 comentários:

Fábio disse...

Opa!

Eu havia colocado o trailer (belíssimo, aliás) no Post-Weird em setembro passado. Fica a dica para quem ainda não viu:

http://verbeat.org/blogs/pwt/2008/09/the-fall.html

Frederico Cabral disse...

a história é tão boba e sem importância que eu nem lembro mais..

Frederico Cabral disse...

mas eu gostei MUITO da parte do sonho que a menina tem quando cai e bate a cabeça.

Samir Machado de Machado disse...

A parte em stop-motion. Fostei bastante daquela parte também.

Mas aquela montagem final, pra mim, é o que justifica o jeito do filme ser como é.

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